Não é uma tarefa fácil conduzir-se bem nesta época do ano quando se
tem pouca alegria na vida.
Tinha sido um mau ano. Um que seria lembrado pela perda de dois amados. Um
ano de desespero financeiro e perda de trabalho.
E depois tem os assuntos de saúde. Não assuntos cotidianos, mas aqueles
que ameaçam e atacam a vida.
Nada, nada dava certo.
Ainda assim, a família se reuniu como sempre para comemorar o Dia de ação
de graças. Vieram de todos os cantos do país para mais uma vez fazer
parte do que era uma bela tradição de família.
O cenário era o mesmo... como sempre na casa da vovó. Tia Ester trazia
seus famosos doces de batata. Tio Joe tocaria piano na sala grande. Mamãe
preparava a mesa enquanto Papai... bem papai assistia o futebol.
Tias e Tios, irmãos e irmãs se abraçavam.
- Realmente não é a mesma coisa sem ele aqui. Alguém disse. Tio Peter
fingiu não ouvi-lo e continuou em frente com um quase verossímil sorriso
no rosto.
- Lembra-se de quando George contava sua história engraçada sobre seu
primeiro peru de ação de graças?
- Não era engraçado, mas ouvir George contar era. Você ria por causa
dele!
Houve um inquieto silêncio no lugar.
- Hora do jantar! Anunciou vovó.
Um por um, cada um deles tomou seu lugar na mesa. Houve um momento
desconfortável quando perceberam dois lugares vazios onde eles sempre se
sentavam.
- Talvez seja a hora de Sissy e Jack mudarem-se para a mesa grande. Alguém
disse.
- Sim, venham. Chamou tio Peter.
- Tá bom, todo o mundo abaixando a cabeça para a oração. Falou vovó.
- Senhor, estamos aqui reunidos mais uma vez para agradecer por todas as
suas bênçãos. Lhe somos gratos pela generosidade desta festa e pela família
que formamos. Amém.
Agora, segundo a tradição da família, era hora de cada um compartilhar
e agradecer por algo que acontecera durante o ano.
- Quem quer ser o primeiro? Perguntou vovó.
Silêncio. O momento desconfortável que todos temiam naquele ano.
Jack, o jovem recém promovido à mesa grande, levantou-se e tentou
escapulir.
Jack tinha perdido sua mãe há poucas semanas depois de uma longa luta
contra o câncer.
- Jack, você não pediu para sair. Vovó disse severa. - Talvez queira
começar?
Oh, este era um momento forte. Vovó merecia o respeito do jovem, mas
mexeu com fogo.
- Agradecer? Pelo que? Agradecer por ter levado minha mãe? Agradecer por
tio Dan perder seu emprego e ter que vender a casa? Agradecer pelo câncer
que tem levado tantas vidas? Ele disse com raiva na voz. - Agradecer pelo
que?
Aquele silêncio novamente.
Os adultos sentaram-se com as cabeças abaixadas. Alguém lutou para
conter as lágrimas. Era um tempo difícil e todos tinham sido afetados
pelas perdas.
De repente, uma pequena voz pode ser ouvida.
- Agradecer pelo amor.
As cabeças lentamente se levantaram.
- Quem disse isso? Perguntou vovó suavemente.
Nervosa, a jovem criança levantou a mão, sentada lá no cantinho, na
mesa das crianças.
- Jacob, por favor levante-se. Pediu vovó - Conte-nos outra vez. O que
você está agradecendo nesta ação de graças?
- Agradeço pelo amor. Você pode perder o emprego. Deus pode chamar a
todos nós de volta ao lar. O que sempre fica é o amor. O amor. Sou grato
pelo amor.
Aquele silêncio inquieto novamente...
- Sou grato por você Jacob. Disse alguém.
- Bem, estou agradecendo por... ter tido sua mãe em minha vida. Mesmo que
por tempo tão curto. Disse o pai de Jack.
- Agradeço pelas lembranças. Outra pessoa adicionou.
- Agradeço pela possibilidade de começar uma nova carreira. Disse tio
Dan.
- Agradeço pelo doce de amora. Gritou uma pequena criança.
Todos riam. Jack voltou à sua cadeira enquanto escutava os outros
anunciarem a sua gratidão.
- Minha vitória no golfe!
- Meu vestido novo.
- Minha viagem ao Grand Canyon com meus vizinhos. Foi terrível!
Finalmente, o círculo se completou e voltou a Jack.
Aquele silêncio inquieto novamente... enquanto todos esperavam para ver
se participaria.
Então, olhando para cima, com lágrimas nos olhos, Jack disse,
- Agradeço por ter sido a minha mãe!
A família se apressou em correr para seu lado e o cercaram, o abraçaram,
o beijaram e seguraram suas mãos.
- Vamos comer! Disse vovó.
Aquele jovem lá do cantinho cochichou,
- Viu, Deus? Obrigado pelo amor.
Que possa você ser banhado em Seu Amor.
Eu sou agradecido pelo de vocês!